IP · Território de origem

Alegria

Peças de cerâmica

Alegria é uma indicação de procedência relacionada a Peças de cerâmica, em CE. Para quem deseja conhecer essa origem, o ponto de partida é entender o produto, o território e os saberes ligados à sua produção.

Alegria é uma indicação de procedência relacionada a Peças de cerâmica, em CE. Para quem deseja conhecer essa origem, o ponto de partida é entender o produto, o território e os saberes ligados à sua produção.

A Indicação de Procedência reconhece a reputação de um lugar na produção de um produto ou na prestação de um serviço.

Os documentos e a delimitação apresentados nesta página ajudam a conhecer o que identifica essa origem. A inclusão de um município não significa que toda a sua área esteja abrangida pela indicação geográfica. Visitas a produtores dependem dos canais e das condições informados por cada estabelecimento.

Conheça esta origem

Nome no registro
Alegria
Registro INPI
BR402023000012-2
Modalidade
Indicação de Procedência
Estado relacionado
Ceará
Concessão do registro
24/04/2025
Representação figurativa registrada de Alegria

Onde fica a área geográfica

A delimitação define a área vinculada a esta origem. Consulte o documento oficial para limites, condições e eventuais áreas parciais.

Comunidade da Alegria, localizada na área rural do município de Ipu, no Estado do Ceará.

O que caracteriza o produto ou serviço

A peças de cerâmica de Alegria são provenientes de matéria-prima composta de: - Argila: são utilizados dois tipos de barro, o barro vermelho e o barro roxo). O barro vermelho é mais fino e mais ligado, enquanto o barro roxo é mais grosso e mais solto.

A extração do barro deve ocorrer na área de abrangência da IP “Alegria”. - Areia: deve ser peneirada e utilizada apenas a parte fina; - Água: toda a água deve ser proveniente de fonte potável; - Madeira: a madeira utilizada no processo de queima das peças de cerâmica deverá ter procedência de fontes renováveis e/ou do reaproveitamento; - Tintas: as tintas utilizadas podem ser tintas óleo, látex e outros tipos de tintas para decoração.

Os produtos autorizados para a IP "Alegria" são: panelas, jarros, travessas, moringas, rosas decorativas; tigelas; luminárias; pratos; cofres; xícaras; bules; canecas; cano de chaminé, potes, cuscuzeira, bacia (taxa, alguidar e torrador); cestas O processo de produção é manual em todas as fases, caracterizando assim o produto como artesanal, com beleza, durabilidade e resistência diferenciadas.

A relação entre o produto e o lugar

A documentação descreve os elementos do ambiente, da história e do saber-fazer associados a esta indicação.

A Comunidade Alegria tem origem que remonta aos tempos iniciais da colonização na região de Ipu. Desde então, Alegria já se destacava pela produção de cerâmica, com fins de atendimento às demandas comerciais ou para fabricação de utensílios domésticos, tanto às casas-grandes como para residências de menor poder aquisitivo. A técnica local de produção das peças de cerâmica é remanescente da tradição indígena Tabajara. Os Tabajaras, habitantes originários da região, já trabalhavam o barro antes de os europeus aportarem em terras brasileiras.

Inicialmente, a cerâmica produzida por eles visava à confecção de urnas para enterrar seus mortos e conservar as cinzas de seus familiares. Com o tempo e o processo de colonização, outras demandas surgiram e as peças de cerâmica passaram a ser construídas para outros fins, como armazenamento de água potável e produção de utensílios domésticos, entre outros usos. Boa parte da técnica tradicional perdura até os dias atuais: as mulheres levantam as peças usando o cordel, que é o modo mais rudimentar de todos. Aos homens é destinada a tarefa de ir colher o barro nas minas de argila e de fazer a queima no forno.

Atualmente os itens são produzidos de acordo com as demandas dos clientes, e podem variar entre panelas, bandejas, jarras, artefatos usados para decoração de casas e vias públicas, entre outros. Os produtos são comercializados por várias partes do Brasil. As peças, com o passar do tempo, foram sendo trabalhadas com detalhes mais inovadores, renovadas nas pinturas, no bordar das peças e na variedade de artefatos realizados. Mas, apesar da introdução de novas técnicas e inovações decorativas, a maioria das atuais ceramistas, conhecidas como oleiras, aprenderam a arte de moldar a cerâmica com as artesãs mais velhas, de geração anterior.

Essas artesãs se esmeram para construir peças e artefatos belos, resistentes a altas temperaturas, e que preservem características dos descendestes dos povos originários do Brasil, potencializando sobre essas obras um valor não apenas econômico, mas de toda uma tradição que remonta aos séculos XVII e XVIII. O trabalho realizado coletivamente pelas ceramistas levou à fundação de uma Associação no ano de 1997, envolvidas no beneficiamento do barro e na produção e comercialização das peças de cerâmicas de Alegria.

De vastas águas e terras em abundância, de onde as oleiras retiram seu sustento na feitura de cerâmica, Alegria tem se tornado exportadora da cultura do barro e se destacado pelo seu potencial produtivo na região e em todo o Brasil.

Quem requereu o registro

Associação dos Artesãos da Alegria - ADADA

Entidade indicada como requerente na ficha técnica consultada.

Municípios relacionados

O vínculo documentado não significa que todo o território de cada município esteja dentro da IG.

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