DO · Território de origem
Terra Indígena Andirá-Marau
Waraná (guaraná nativo) e pães de waraná (bastão de guaraná)
Terra Indígena Andirá-Marau é uma denominação de origem relacionada a Waraná (guaraná nativo) e pães de waraná (bastão de guaraná), nos estados de AM, PA. Para quem deseja conhecer essa origem, o ponto de partida é entender o produto, o território e os saberes ligados à sua produção.
Terra Indígena Andirá-Marau é uma denominação de origem relacionada a Waraná (guaraná nativo) e pães de waraná (bastão de guaraná), nos estados de AM, PA. Para quem deseja conhecer essa origem, o ponto de partida é entender o produto, o território e os saberes ligados à sua produção.
A Denominação de Origem reconhece a ligação das qualidades ou características de um produto ou serviço com o seu meio geográfico, incluindo fatores naturais e humanos.
Os documentos e a delimitação apresentados nesta página ajudam a conhecer o que identifica essa origem. A inclusão de um município não significa que toda a sua área esteja abrangida pela indicação geográfica. Visitas a produtores dependem dos canais e das condições informados por cada estabelecimento.
Conheça esta origem
- Nome no registro
- Terra Indígena Andirá-Marau
- Registro INPI
- BR412016000005-2
- Modalidade
- Denominação de Origem
- Estados relacionados
- Amazonas, Pará
- Concessão do registro
- 20/10/2020

Onde fica a área geográfica
A delimitação define a área vinculada a esta origem. Consulte o documento oficial para limites, condições e eventuais áreas parciais.
Terra Indígena Andirá-Marau, conforme demarcação da FUNAI, homologada pelo decreto 93.069, de 6 de agosto de 1986, acrescida da área adjacente denominada “Vintequilos”, a norte-noroeste.
O que caracteriza o produto ou serviço
A produção de grãos secos de waraná se dá em fornos de barro. Após este processo, os grãos secos devem ser defumados para aromatização e conservação, podendo vir a ser encaminhados para a sua transformação em pó de waraná.
O grão seco de waraná da Terra Indígena Andirá-Marau, quando descascado e moído, deve satisfazer os seguintes critérios: a) consistência de pó macio e solto, não granuloso como areia e nem agregado como terra; b) cor variável desde o muito claro ao claro, mas nunca escura; c) aroma seco e limpo, frutado quando mais fresco, e levemente defumado; d) sabor suavemente amargo e deixando na ingestão com água a temperatura ambiente uma sensação de alta digestibilidade; e) baixa umidade Composição média do guaraná produzido na TI Andirá-Marau: - Umidade média de amostras de guaraná produzido na TI Andirá-Marau: 10,2% - Conteúdo médio em óleo de amostras de guaraná produzido na TI Andirá-Marau: 3,6% - Teor médio de cafeína de amostras de guaraná produzido na TI Andirá-Marau: 4,33% Para a produção de pães, os grãos de waraná secos em fornos de barro devem, sempre manualmente, ser liberados do tegumento (casquilho) e, a seguir, pilados e amalgamados em bastões compactos, duros e defumados.
O “Pão de Waraná” da Terra Indígena Andirá-Marau deve apresentar as seguintes características: a) consistência dura, mas frágil, podendo ser partido com um único golpe; b) textura interna do pão compacta e fina, não granulosa, com ausência de espaços ocos (que poderiam causar mofo); c) cor preta e brilhante; d) aroma de guaraná homogêneo e suavemente seco, harmonizado pela defumação com madeira aromática; e) som e vibração à percussão; Sabor e consistência, de amostra ralada com pedra de basalto, suavemente amargo e deixando na ingestão uma sensação de alta digestibilidade.
A relação entre o produto e o lugar
A documentação descreve os elementos do ambiente, da história e do saber-fazer associados a esta indicação.
O guaraná produzido pela população nativa na Terra Indígena Andirá-Marau (TI Andirá-Marau) decorre de uma concorrência de diversos fatores, dentre os quais se destaca a influência de solos de origem antrópica, incluindo as chamadas Terra Preta de Índio e Terra Marrom. As Terras Pretas foram originadas em assentamentos indígenas como resultado de práticas de manejo de dejetos, como carvão e cinzas vegetais, ossos de animais e outros restos de cozinhas e casas. Os solos antrópicos permitem melhor crescimento, produtividade e qualidade do guaraná.
Combinado com mudas oriundas das ‘mães do guaraná’, que crescem em florestas culturais nas terras altas da TI Andirá-Marau, a qualidade das sementes de guaraná produzidas na TI certamente é única. Esses solos antrópicos influenciariam de forma positiva na quantidade de cafeína das sementes, a exemplo do que se verifica no plantio do café.
Quanto aos pães de waraná, a fase de defumação é fortemente influenciada pela alta umidade relativa do ar, necessária para que o processo possa efetivado com eficiência e qualidade (subindo-se os rios maiores Terra Indígena adentro, há uma transição suave e progressiva para temperaturas mais amenas e com maior umidade). A fumaça precisa se misturar com o vapor de água presente no ambiente para garantir uma aromatização harmônica e intensa, e propiciar condições para que os pães ganhem cor uniforme. A fabricação dos pães é realizada exclusivamente durante o inverno amazônico.
Nesta época, chuvosa, a umidade relativa do ar é alta e as temperaturas são amenas. Como lenha para defumação a usa-se o murici (Byrsonima crassifolia), uma madeira essencial para conferir sabor e aroma específicos aos pães durante o processo. É importante indicar que a alta umidade ambiental é fator determinante para a sobrevivência e a produtividade das abelhas canudo, o agente polinizador dos guaranazais nativos. Mais precisamente, as abelhas canudos (Scaptotrigona sp.) são nativas da região da Terra Indígena, que se constitui em um habitat ideal para a espécie.
Além de prover serviço de polinização para espécies florestais, para o waraná nativo e outros cultivos, localmente a abelha canudo exibe alta produtividade de mel. Também importante, é um marcador ambiental que indica condições microclimáticas mais úmidas, as quais influem no processo de defumação dos pães de waraná. Essa relação intrínseca entre as abelhas e os fatores naturais da TI Andirá-Marau tem como base “a diferença geoclimática entre as terras altas (mais frias), rumo às cabeceiras dos rios Andirá e Marau, e as terras colonizadas das quais os índios acabaram sendo expulsos ou nas quais foram assimilados.
Isso porque as abelhas canudo (a "awi'a sese", "abelhas por excelência" na língua Sateré: Scaptotrigona sp.), polinizadoras do Waraná indígena, criadas pelos Sateré-Mawé e nativas na terra demarcada, muito produtivas no seu nicho ecológico, viram improdutivas e mal sobrevivem se forem levadas afora.
De modo inverso, as abelhas Jandaíra Boca-de-Renda (Melipona seminigra merrilae), criadas a oeste da Terra Indígena, em regiões mais baixas, incluindo o Município de Maués, não tem habitat favorável na Terra Indígena, e, quando sua criação foi experimentada, demonstraram-se improdutivas e com muitas dificuldades para sobreviver na região do Marau, mesmo nas terras próximas à linha limite de demarcação, que são relativamente mais baixas.
Além disso, segundo o Consórcio dos Produtores Sateré-Mawé (CPSM), a TI Andirá-Marau possui o mais amplo leque de diferenciação genética distribuída na população de guaraná nativo e, consequentemente, nos lotes de produção comercializada pelo CPSM. As práticas dos Sateré-Mawé garantem a conservação e adaptação genética do guaraná no ambiente natural, com a Terra Indígena Andirá-Marau se constituindo no único banco genético in situ do guaraná existente no mundo.
De forma mais detalhada: as práticas tradicionais dos Sateré-Mawé transformaram a trepadeira em arbusto, mantendo cuidadosamente as condições para a ocorrência de interações genéticas entre as plantas mães de waraná (ou seja, os cipós de guaraná na floresta) e os arbustos, filhos delas, replantados. Estas interações se dão através da polinização cruzada por abelhas nativas, a difusão das sementes pelos tucanos e da prática de trocas agroflorestais entre as comunidades. Este fluxo, por sua vez, mantem a alta variabilidade genética da variedade sorbilis originalmente encontrada pelos SatéréMawé.
Assim, a manutenção da alta diversidade genética do guaraná nativo produzido pelos SatéréMawé só é possível devido aos fatores humanos e naturais da Terra Indígena Andirá- Marau. Em outras palavras, a possibilidade de produção de guaraná nativo com tal riqueza de genes decorre essencialmente do meio geográfico.
Quem requereu o registro
Consórcio de Produtores Sateré-Mawé - CPSM
Entidade indicada como requerente na ficha técnica consultada.
Municípios relacionados
O vínculo documentado não significa que todo o território de cada município esteja dentro da IG.
Nenhum vínculo municipal homologado neste cadastro.
